“Trabalhar em diferentes funções ao longo da carreira amplia a resiliência, a empatia e a adaptabilidade — três das soft skills mais valorizadas no século XXI.” — Harvard Business Review, artigo “The Hard Truth About Soft Skills” (2017)
Durante minhas férias, aproveitei para refletir sobre a minha carreira e tudo o que vivi até aqui. Decidi registrar essa trajetória em partes, tanto como uma forma de valorizar o caminho percorrido quanto para mostrar como cada experiência ajudou a construir as habilidades que carrego hoje.
Nesta primeira parte, quero falar do período antes da faculdade, quando dei meus primeiros passos no mercado de trabalho.
Meu primeiro emprego foi aos 16 anos, em 2010, como atendente de Lan House. Rotina CLT de 6h, escala 6×1, conciliando trabalho e ensino médio. Além de liberar o acesso aos computadores, também cuidava da limpeza, organização, estoque, caixa e até serviços extras, como impressões, xerox e criação de currículos. Pode parecer simples, mas essa rotina exigia bastante atenção (era sim, bem entediante) e disciplina — afinal, não era permitido usar celular ou redes sociais, ouvir música ou fazer qualquer trarefa que tirasse do foco princal: o estabelecimento e os clientes. Foi aí que desenvolvi minhas primeiras habilidades em responsabilidade, organização e atendimento ao público, aprendendo a manter a calma e a simpatia até quando aparecia aquele cliente freguês que adorava perturbar.
Alguns meses depois, a Lan House foi anexada a uma papelaria ao lado, que pertencia o mesmo dono e minha função mudou. Passei a atuar como caixa e também no apoio às vendas da papelaria que possuia produtos eletrônicos também. Essa etapa passei a trablhar não mais sozinho, mas em equipe e foi essencial para aprender sobre trabalho em equipe, vendas e relacionamento interpessoal. Trabalhar com diferentes colegas (e não foram poucos, pois havia uma boa rotatividade no quadro de funcionários) me mostrou, na prática pelas diversas situações, como dinâmicas de grupo (harmonias e conflitos) impactam diretamente o ambiente e os resultados do negócio. Após alguns messes nessa nova dinâmica, pela metade de 2011, optei por sair da empresa, pois a rotina 6×1 me cansava bastante e não permitia com que eu pudesse me dedicar a muitas coisas ou aos estudos e com isso aproveitei e prestei vestibular, passei e iniciei um curso técnico em informática na ETEC e um curso de Inglês em uma escola de idiomas, tudo isso enquanto finalizava o ensino médio.
Em seguida, em 2012, com o ensino técnico e o aprendizado de inglês em andamento e o ensido médio concluído, surgiu a oportunidade de atuar como técnico em manutenção de computadores, em uma empresa dos mesmos donos da Lan House e papelaria, seguindo com CLT, uma escala 6×1 (de segunda à sábado) e com uma flexibilização para que pudesse continuar meu curso de inglês ao sábados pela manhã. Nessa função, além de consertos e suporte remoto, também ministrava treinamentos de um sistemas de gestão (ERP) desenvolvido pela empresa. Essa experiência foi um divisor de águas: aprimorei minhas habilidades técnicas em hardware e software, mas principalmente minha capacidade de comunicação, didática e resolução de problemas. Ensinar pessoas a usar sistemas ou auxilia-las a resolver problemas de forma remota exigia paciência, clareza e escuta ativa para entender as dores dos clientes. Foi também nesse período que aprendi a traduzir problemas técnicos em linguagem acessível, algo que levo comigo até hoje.
Paralelamente, finalizei meu curso técnico em informática e ainda tive a oportunidade de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos, que ganhei devido ao meu desempenho acadêmico na ETEC com tudo pago pelo Governo do Estado e SP, uma experiência que ampliou minha visão de mundo e reforçou minhas habilidades em inglês e adaptação a novos contextos. E com isso iniciou um desejo de me apromirar e fazer uma faculdade. Em 2014 optei por sair da empresa para me dedicar aos estudos e entrar em uma universidade pública.
Depois dessa fase mais técnica, quando a situação financeira começou a apertar, passei por trabalhos que, à primeira vista, não tinham relação direta com tecnologia, mas que foram fundamentais para meu desenvolvimento profissional e que serviram de base, para que pudesse dedicar aos preparatórios para o vestibular. Em 2014, como auxiliar de arquivo, CLT em escala 5×2 de segunda á sexta, em uma empresa de segurança, precisei lidar com processos formais, protocolos e documentação, principalmente para o setor jurídico. Essa função me trouxe um grande aprendizado em comunicação, escrita formal, atenção a detalhes, disciplina em processos e um pouco da “politicagem corporativa” (negociação, relacionamentos corporativos e cooperação entre setores).
Já como auxiliar de escritório em um condomínio, em 2015 também CLT e em uma escala 6×1 (de segunda á sábado), fui responsável por apoiar a parte burocrática e intermediar a comunicação entre moradores, síndico e administradora. Apesar de ser uma fase voltada mais para “sobrevivência”, esse trabalho reforçou minha capacidade de organização, gestão de demandas e comunicação interpessoal, além de me dar mais maturidade para lidar com diferentes perfis de pessoas.
Por fim, depois de muitos desafios e tentativas, em 2016 veio a conquista que eu tanto buscava: minha aprovação para a graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Chapecó/SC, através do SISU com a minha nota do ENEM. Um novo capítulo começava ali, que exigia uma mudança não só de localização, mas também de maturidade — e sobre essa parte vou falar no próximo post.
Essa foi a primeira parte da minha trajetória profissional. Cada experiência, por mais simples que parecesse, trouxe aprendizados que me ajudaram a evoluir não só tecnicamente, mas também em aspectos humanos e comportamentais, skills super importantes dentro do mundo do trabalho. Se você também trilhou caminhos diferentes até chegar na sua área, compartilhe sua história nos comentários — é sempre inspirador ver como cada etapa contribui para nossa evolução.